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Coluna Dia Um

Coluna Dia Um – 24/01/2020: A beleza da metamorfose

Ariel Fedrizzi

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Nada explica o brilho nos olhos de uma criança ao olhar para a mãe e ver, ali, o seu porto seguro. Nas rugas prematuras de preocupação, nos olhos pesados de sono, a alma infante só enxerga o amparo. Para ela, a detentora de todas as respostas está ali – aquela que sempre sabe o que dizer, o que fazer, por que sentir.

A mesma coisa acontece com o novo morador de uma metrópole. Seu semblante encantado com os prédios altos, com os muitos carros, com a tecnologia, o faz esquecer que, em algum momento do passado, nada daquilo existiu.

A mudança pode ser percebida nos detalhes; no movimento dos ponteiros do relógio; no farfalhar de folhas e árvores.

A figura materna que, hoje, não tem apenas um sexto, mas um sétimo, um oitavo e um centésimo sentidos, já foi uma jovem insegura. A lataria reluzente do novo carro, exatamente como a pele de seda nas mãos do bebê, já foi assim: intocada.

O agora desacreditado treinador de futebol já foi um jogador que viveu seu auge. Bem como algum grande cantor que viu a fama e a vida passarem por si.

Nos postes, as luzinhas que iluminam a cidade nem sempre estiveram acesas. Quando as próprias ruas não existiam e o sonho de edificar não passava de sonho, será que havia algo para ver?

Feito o bolo que foi feito a partir do nada, ou a fruta que nasceu do pé, o mundo respira e transpira metamorfose. O adubo, outrora uma forma de vida abundante, hoje contribui para que outras comecem a partir do seu final. E as vozes da experiência que ouvimos todos os dias ressoam erros e equívocos juvenis.

Entender que, eventualmente, elas se tornarão graves e falhas e, depois, virarão ecos, é o primeiro passo para entender que o osso se transforma em pó… e que, das cinzas, se faz a fênix.

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