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Coluna Dia Um

A referência e o rosto de uma era

Ariel Fedrizzi

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Na última sexta-feira (15), Caxias do Sul perdeu a referência e o rosto de uma era. Alberto Arioli, aos 95 anos de idade, nos deixou, sendo o último representante de nosso povo a ter lutado na Segunda Guerra Mundial.

Caxiense por nascimento, mas descendente de italianos – com seus avós oriundos do Velho Continente –, o Sr. Arioli foi um dos membros da F.E.B., a Força Expedicionária Brasileira, instituída no governo Getúlio Vargas para combater o regime fascista na Itália na década de 1940.

Unido a outros 173 jovens da região pelo anseio de libertar o país de seus antepassados da tirania de Mussolini, Arioli se alistou logo aos dezoito anos de idade. Junto a outros 25 mil pracinhas (a denominação para os soldados brasileiros que participaram da Guerra), integrou as forças aliadas no combate ao Eixo.

Ele esteve, entre outros, presente na icônica batalha que resultou na tomada de Montese, em 1945. Ao final da Guerra, retornou para o Brasil e se restabeleceu em sua terra natal.

Nos anos seguintes, o Sr. Arioli fez carreira no escritório da Eberle, e, posteriormente, como representante comercial. Também ajudou a fundar uma empresa de abrasivos industriais.

Mas talvez uma de suas contribuições mais expressivas para a nossa cidade no pós-Guerra tenha sido a sua participação na criação do Museu dos Ex-combatentes da F.E.B., situado na Rua Visconde de Pelotas, 249, em 1975. Durante muito tempo, o Sr. Arioli recebeu visitantes e entusiastas de um dos mais importantes acontecimentos recentes da humanidade, e discorreu sobre aqueles dias de luta.

Através do Museu, também eram promovidos alguns almoços com participação de viúvas e familiares de outros ex-combatentes.

Quando partiu na última sexta-feira, Alberto Arioli levou consigo memórias e vivências de um passado que ainda espreita. Embora existam registros espalhados pelos quatro cantos do mapa – alguns, inclusive, abrigados no próprio Museu –, a História perde uma página ímpar.

A voz que narrava a plateias atônitas eventos grandiosos demais com riqueza e detalhe agora vive em outros. Vive em filhos, filhas e netos; vive em estudantes e curiosos que, em algum momento de suas jornadas, foram tocados pelo legado dos nossos pracinhas.

A voz do Sr. Arioli agora vive nas histórias que contou.

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