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Coluna Dia Um – 12/07/2020: Um tipo de arte não reconhecido

Muito se fala em possibilitar a expressão artística a todos que desejam, de alguma forma, contar histórias. Se, antes, o termo “arte” se resumia a bons filmes, bons livros e boas pinturas, agora, ele se abre para um sótão de possibilidades e variações que comunicam essência e provocam comoção.

É fato que o artifício da informática e das mídias sociais mais acessíveis a todos teve papel importante na criação e no desenvolvimento de novas obras. Os já citados filmes, por exemplo, ganharam um adendo muito especial com a chegada dos curtas caseiros. A fotografia passou a aceitar olhares cotidianos, cliques de celular, sem impor grandes restrições quanto aos megapixels. Hoje, é possível tracejar o papel para mostrar um talento (ou sentimento) sem sentir que as grandes pinturas de museu estão a séculos de distância.

A internet viabilizou a expansão das criações – mas, ainda assim, há um tipo de arte que nunca é lembrado por ela.

Falo, é claro, dos jogos eletrônicos.

A indústria de desenvolvimento de games vem crescendo em velocidade par com a do cinema. Não de ontem, consoles têm levado o poder de gerações de processamento gráfico ao limite, e, quando o atingem, estabelecem novos recordes para quebrar. O entretenimento infanto-juvenil (e adulto também) faz um planeta (e, às vezes, mais de um) caber nos quatro cantos de uma tela.

Milhões e milhões de dólares são movimentados todos os anos com a venda de jogos, com os anúncios, com os conteúdos exclusivos que desafiam as incompreensíveis 3 dimensões a seguirem impressionando.

Cenas vistas em certos games já zombam do realismo do mundo real: rugas e poros e trejeitos mesclam-se com superpoderes e luzes e sons para dar vida a espetáculos utópicos. Cavaleiros históricos, magos e cowboys convivem num espaço-comum com meninos de apartamento que aspiram, um dia, criar. O choro de personagens inexistentes toca tanto quanto o de seres humanos – porque, ali, não existe inexistir.

Se Hollywood, com seus romances ideais, seus épicos sangrentos, seus jogos de xadrez no suspense e na ação, merecidamente ganhou a alcunha de “Fábrica de Sonhos”, talvez precise começar a se preocupar em dividir o trono. Porque, antes de empresas que seguem cronogramas e têm equipes de trabalho para concluir projetos, os estúdios são as mãos que trazem closes inesquecíveis e diálogos agridoces para a vida das pessoas.

Assim como são os pintores. Os escultores. Os cantores. Os escritores.

Por que não acrescentar na lista de “ores”, aqueles que nos provocam dores e amores e tremores, os desenvolvedores?

Ariel Fedrizzi

Ariel Fedrizzi

Com 24 anos de idade e natural de Caxias do Sul – RS, Ariel Fedrizzi é fascinado desde sempre por contar histórias. Tem nas palavras a chave para dar voz a quem não é ouvido e trazer luz ao que não é visto. Cronista por exercício, poeta por preguiça, contista por pendor, teve diversos artigos publicados no Jornal Pioneiro, mas tem sede por mais. Iniciou, em fevereiro de 2019, um projeto de divulgação do seu trabalho autoral nas redes sociais, e hoje conta com participação em alguns eventos literários no currículo (destaque para o Fora da Caixa, do Centro Universitário FSG, e para o Sarau de Poesia do Instituto Cultural Taru), e, claro, a materialização de seus escritos através dos cards literários, uma de suas maiores invencionices.



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