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Coluna Dia Um

Coluna Dia Um – 12/07/2020: Um tipo de arte não reconhecido

Ariel Fedrizzi

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Jornal do Povo RS - laboratorio 88

Muito se fala em possibilitar a expressão artística a todos que desejam, de alguma forma, contar histórias. Se, antes, o termo “arte” se resumia a bons filmes, bons livros e boas pinturas, agora, ele se abre para um sótão de possibilidades e variações que comunicam essência e provocam comoção.

É fato que o artifício da informática e das mídias sociais mais acessíveis a todos teve papel importante na criação e no desenvolvimento de novas obras. Os já citados filmes, por exemplo, ganharam um adendo muito especial com a chegada dos curtas caseiros. A fotografia passou a aceitar olhares cotidianos, cliques de celular, sem impor grandes restrições quanto aos megapixels. Hoje, é possível tracejar o papel para mostrar um talento (ou sentimento) sem sentir que as grandes pinturas de museu estão a séculos de distância.

A internet viabilizou a expansão das criações – mas, ainda assim, há um tipo de arte que nunca é lembrado por ela.

Falo, é claro, dos jogos eletrônicos.

A indústria de desenvolvimento de games vem crescendo em velocidade par com a do cinema. Não de ontem, consoles têm levado o poder de gerações de processamento gráfico ao limite, e, quando o atingem, estabelecem novos recordes para quebrar. O entretenimento infanto-juvenil (e adulto também) faz um planeta (e, às vezes, mais de um) caber nos quatro cantos de uma tela.

Milhões e milhões de dólares são movimentados todos os anos com a venda de jogos, com os anúncios, com os conteúdos exclusivos que desafiam as incompreensíveis 3 dimensões a seguirem impressionando.

Cenas vistas em certos games já zombam do realismo do mundo real: rugas e poros e trejeitos mesclam-se com superpoderes e luzes e sons para dar vida a espetáculos utópicos. Cavaleiros históricos, magos e cowboys convivem num espaço-comum com meninos de apartamento que aspiram, um dia, criar. O choro de personagens inexistentes toca tanto quanto o de seres humanos – porque, ali, não existe inexistir.

Se Hollywood, com seus romances ideais, seus épicos sangrentos, seus jogos de xadrez no suspense e na ação, merecidamente ganhou a alcunha de “Fábrica de Sonhos”, talvez precise começar a se preocupar em dividir o trono. Porque, antes de empresas que seguem cronogramas e têm equipes de trabalho para concluir projetos, os estúdios são as mãos que trazem closes inesquecíveis e diálogos agridoces para a vida das pessoas.

Assim como são os pintores. Os escultores. Os cantores. Os escritores.

Por que não acrescentar na lista de “ores”, aqueles que nos provocam dores e amores e tremores, os desenvolvedores?

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