Jornal do Povo

Coluna Dia Um – 13/12/2020: 2020, Considerações Finais

Dezembro chegou. Apesar de tudo, apesar de nos encontrarmos numa espécie de purgatório, de reformatório para o futuro, inseguros sobre o agora, dezembro chegou.

É tempo de colocar na ponta do lápis algumas notas; de revisar o que fomos capazes de escrever durante os (longos) onze meses que nos trouxeram para cá.

Porque 2020 foi um ano de provações. Em contrapartida à excessiva confiança que ostentávamos no distante último janeiro – aquele velho otimismo, mesclado à certeza de que estávamos no pleno controle do andar da carruagem –, 2020 foi um pé na porta, um soco na boca do estômago e um chacoalhar de subserviência.

Vimos tudo parar. Vimos projetos desmoronarem. Vimos o devastador poder da doença… e, mais uma vez, nada pudemos fazer para derrotar um inimigo invisível.

Inimigo. Desafio. Doença. Máscara. A nossa retrospectiva se resume a umas poucas palavras; ainda assim, elas comunicam com alguma precisão o excesso a que fomos submetidos. Vivemos muitos séculos em apenas alguns meses.

Contudo, ao contrário da crença popular de que foi “um ano para se esquecer”, 2020 reabriu feridas justamente para refrescar nossa memória quanto à fragilidade e o valor da vida. Cutucou-nos machucados históricos, insisto em dizer. Instigou a mudança pois a mudança não se faz sem um propósito.

Agora, enquanto nos debruçamos para revisar nossas anotações até aqui, é primordial lembrar que algumas coisas não se apagam. Viraremos a página em breve, sim; começaremos outro caderno e ali teremos a oportunidade de escrever com mais capricho – mas o que já passou, as coisas e pessoas e os momentos e desafios que vivenciamos, seguem conosco.

2020 levou muitos rostos, muitas histórias, e, por isso, merece ser lembrado. Quando acabar, não trará uma solução mágica, mas novos capítulos e novas oportunidades para sonhar. Continuaremos precisando ler olhares, adiando caretas divertidas com a boca, sorrindo sem mostrar.

O próximo ano, repito, não virá com a solução; nós seremos os seus criadores. Por essas e tantas outras, a hora é de apertarmos os cintos, nos mantermos sensatos e, acima de tudo, acreditarmos.

Ariel Fedrizzi

Ariel Fedrizzi

Com 24 anos de idade e natural de Caxias do Sul – RS, Ariel Fedrizzi é fascinado desde sempre por contar histórias. Tem nas palavras a chave para dar voz a quem não é ouvido e trazer luz ao que não é visto. Cronista por exercício, poeta por preguiça, contista por pendor, teve diversos artigos publicados no Jornal Pioneiro, mas tem sede por mais. Iniciou, em fevereiro de 2019, um projeto de divulgação do seu trabalho autoral nas redes sociais, e hoje conta com participação em alguns eventos literários no currículo (destaque para o Fora da Caixa, do Centro Universitário FSG, e para o Sarau de Poesia do Instituto Cultural Taru), e, claro, a materialização de seus escritos através dos cards literários, uma de suas maiores invencionices.



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