Jornal do Povo

Coluna Dia Um: 14/06/2020 – O nome da irresponsabilidade

Foto por Rádio Caxias: Multidão nas proximidades do Shopping Iguatemi no final de semana de 06 e 07 de junho.

No dia de ontem, o estado do RS recebeu orientações para o funcionamento do comércio e dos serviços de acordo com um zoneamento divulgado pelo Palácio do Piratini.

Para Caxias do Sul e região, más notícias: a bandeira vermelha mostrada no mapa indica que, já a partir de amanhã, boa parte dos estabelecimentos não estará autorizada a abrir – o que coloca lojas, escolas e até mesmo algumas prestadoras de serviços que contavam com um possível retorno em posição complicada.

De acordo com as informações divulgadas pelo governo do estado, a bandeira vermelha se dá como forma de tentar frear o avanço dos casos de covid-19, que tem registrado índices de crescimento alarmantes nos últimos dias. Só na cidade de Caxias, por exemplo, o número de hospitalizações confirmadas pela doença cresceu em 173,9% em apenas duas semanas, passando de 23 para 63 pacientes.

A nível nacional, o momento de pressão e incerteza vividas talvez seja sem precedentes. Nunca antes uma crise sanitária de tamanhas proporções escancarou feridas políticas tão profundamente entranhadas na pele de um povo. Debates que vinham em meia-chama se reacenderam, e as divergências tornaram a ganhar as manchetes, entre os que defendem a reabertura completa da economia (mesmo com seus riscos, dada a assustadora taxa de contágio do novo Coronavírus) e aqueles que apoiam esta “segurada”.

Espectros políticos à parte, todos sabemos que as contas não param de chegar no fim do mês, e que o apoio financeiro e social fornecido pelo governo a cada único cidadão nem sempre se faz aplicado. É compreensível que estejamos apreensivos, que parte da população defenda tão veementemente um retorno imediato. O que não é aceitável neste cenário são as fotos que ganharam as redes nos últimos dias: aglomerações nos shoppings, filas para estabelecimentos de lazer e, tornando a falar da Serra Gaúcha em específico, uma multidão na espera para o passeio da Maria Fumaça em Bento Gonçalves.

Concordando ou não com as medidas propostas para enfrentar a covid-19, é fato e estatística que a doença está aí; que os leitos, em alguns lugares, já não estão dando conta da demanda; que o Brasil já é considerado o novo epicentro do vírus. Se a quarentena tivesse sido devidamente respeitada desde o início – repito, mesmo que não agradasse a todos –, talvez o momento fosse de uma retomada econômica livre de riscos.

Mas, não. Meia-quarentena nunca foi uma alternativa de combate válida, e a bandeira vermelha agora nos mostra isso.

O nome da irresponsabilidade é descaso. Descaso para com as orientações, descaso para com os idosos (& demais pessoas na zona de risco), descaso para com a vida.

Ariel Fedrizzi

Ariel Fedrizzi

Com 24 anos de idade e natural de Caxias do Sul – RS, Ariel Fedrizzi é fascinado desde sempre por contar histórias. Tem nas palavras a chave para dar voz a quem não é ouvido e trazer luz ao que não é visto. Cronista por exercício, poeta por preguiça, contista por pendor, teve diversos artigos publicados no Jornal Pioneiro, mas tem sede por mais. Iniciou, em fevereiro de 2019, um projeto de divulgação do seu trabalho autoral nas redes sociais, e hoje conta com participação em alguns eventos literários no currículo (destaque para o Fora da Caixa, do Centro Universitário FSG, e para o Sarau de Poesia do Instituto Cultural Taru), e, claro, a materialização de seus escritos através dos cards literários, uma de suas maiores invencionices.



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