Jornal do Povo

Coluna Dia Um – 17/05/2020: A Sociedade dos Mascarados

Quem diria,
O tempo parou.

Quem diria
Que a boca que ria
Não seria
Mais vista?
Ocultada
Pela máscara,
Mas não há sorriso:
Há incerteza e tensão.

Quem diria,
O mundo mudou.

Quem diria
Que todos sairiam
Às ruas
Com receio?
Que despir o rosto
Perto do outro
Assumiria conotação
Mais íntima que o sexo?

Quem diria,
A economia quebrou.

Quem diria
Que precisaríamos
Nos reinventar na força
Do labor?
Que escolas seriam fechadas,
Aulas, ministradas
No conforto do lar
Para aqueles que podem?

Quem diria,
Ter dinheiro não ajudou.

Quem diria
Que rico e pobre,
Branco, rosa, favelado
Seriam todos afetados igual?
Não houve carteira
Nem boas maneiras
Que pudessem evitar
Uma pane global.

Quem diria,
A natureza gritou.

Quem diria
Que as águas de Veneza
E as nuvens escurecidas na China
Voltariam a permitir vida?
Que o mesmo solo
E o mesmo céu
Que carregam o vírus
Também vibram em diversidade?

E quem diria
Que reconheceríamos
Família
Depois de tanto tempo?
Que o convívio
Seria
A próxima moda
Que voltaria?

Quem diria.

Quem diria e quem dirá
O que virá
Para que brindemos
À finitude?
É melhor
Separarmos os copos
E servirmos as doses
Para a hora do jantar.

Que o álcool purifique
Algo
Que está entranhado
Desde antes da doença.
E que a prece que antecede
A refeição
Se faça mais pura no desespero
Da Sociedade dos Mascarados.

Ariel Fedrizzi

Ariel Fedrizzi

Com 24 anos de idade e natural de Caxias do Sul – RS, Ariel Fedrizzi é fascinado desde sempre por contar histórias. Tem nas palavras a chave para dar voz a quem não é ouvido e trazer luz ao que não é visto. Cronista por exercício, poeta por preguiça, contista por pendor, teve diversos artigos publicados no Jornal Pioneiro, mas tem sede por mais. Iniciou, em fevereiro de 2019, um projeto de divulgação do seu trabalho autoral nas redes sociais, e hoje conta com participação em alguns eventos literários no currículo (destaque para o Fora da Caixa, do Centro Universitário FSG, e para o Sarau de Poesia do Instituto Cultural Taru), e, claro, a materialização de seus escritos através dos cards literários, uma de suas maiores invencionices.



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