Jornal do Povo

Coluna Dia Um – 20/09/2020: Miscelânea de três cores

Não sou o legítimo gaúcho “raiz”. Pelo contrário. Aqueles que me conhecem sabem que sou lamentavelmente ignorante com relação às tradições do Rio Grande. Nunca participei de um CTG; como churrasco de maneira quase ocasional; e a pouca noção que tenho de danças e festejos gaudérios vem da época da escola.

Mesmo assim, sinto que sei descrever com alguma precisão o sentimento que vibra no peito no 20 de setembro – porque se trata de algo muito maior!

Quando nossos antepassados decidiram colocar a cara a tapa, sair à guerra em busca da autonomia que julgavam merecer, criou-se a imagem do riograndense. Estabeleceram um padrão que ainda tentamos equiparar: o padrão do povo forte, o povo que não se cala diante de injustiças.

Nenhuma tirania na história do nosso estado aplacou o ímpeto de um gaúcho forte. Da mesma forma que o primeiro homem e a primeira mulher cruzaram os pampas a cavalo sem mesmo saber se iam voltar, hoje nós cruzamos as ruas e, através do nosso trabalho, mantemos vivo o legado de quem calçou as primeiras pedras do RS.

As coisas mudaram, é verdade. As guerras travadas por nossa geração não são guerras contra inimigos de fora – porque todos somos um só. Unidos pelo mesmo solo fértil e pelo mesmo céu azul – terra e cor –, nós hoje dividimos o espaço que recebemos de presente daqueles que partiram da vida para entrar na história.

Embora alguns de nós dancem e exibam as cores do estado na Semana Farroupilha, e outros se atenham às rodas de chimarrão (como é o meu caso), todos celebramos. Nativos, não-nativos, filhos de imigrantes, pais de família que vieram de outro lugar… Mesmo que nem todos estivessem conosco no início, no passado, todos são parte integral do presente e do futuro do nosso estado.

Isso, por si só, já é motivo de celebração. Viva a pluralidade do Rio Grande!

Ariel Fedrizzi

Ariel Fedrizzi

Com 24 anos de idade e natural de Caxias do Sul – RS, Ariel Fedrizzi é fascinado desde sempre por contar histórias. Tem nas palavras a chave para dar voz a quem não é ouvido e trazer luz ao que não é visto. Cronista por exercício, poeta por preguiça, contista por pendor, teve diversos artigos publicados no Jornal Pioneiro, mas tem sede por mais. Iniciou, em fevereiro de 2019, um projeto de divulgação do seu trabalho autoral nas redes sociais, e hoje conta com participação em alguns eventos literários no currículo (destaque para o Fora da Caixa, do Centro Universitário FSG, e para o Sarau de Poesia do Instituto Cultural Taru), e, claro, a materialização de seus escritos através dos cards literários, uma de suas maiores invencionices.



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