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Coluna Dia Um

Coluna Dia Um – 25/10/2020: A bondade mora ao lado

Ariel Fedrizzi

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Ao contrário dos estereótipos normalmente atrelados à figura do vizinho – como uma pessoa escusa, fofoqueira, desagradável –, posso dizer que aqueles com quem compartilho um nome de rua são, em geral, pessoas caridosas, preocupadas e gentis.

Seja no dia a dia, nas badaladas sextas à noite ou nos pacatos domingos de manhã, sinto que há um cuidado mútuo entre os moradores do bairro. Dos sorrisos trocados na cerca à breve conversa na parada de ônibus, todos parecem gostar de uma boa parla.

Longe dos olhares avaliadores e da fofoca, há algo de belo na simplicidade dos assuntos entre vizinhos: falamos sobre o tempo, sobre a família, sobre a vida. Falamos sobre trivialidades, também, sem que em nenhum momento aquilo cheire a obrigação.

Sinto-me privilegiado quando, dia sim, dia não, alguns morangos são entregues de surpresa em nossa casa, oriundos da pequena horta ao lado. É a gentileza em sua forma clássica; é a pureza em, metafórica e literalmente, plantar sementes e colher amizades.

Meus vizinhos são uma afronta à máxima de que não há vizinho bom. Mesmo a música que começa cedo aos domingos carrega um ar suburbano. É impossível não se render à alegria de final de semana – e, no entardecer, não há prazer maior do que gritar um “boa noite!” para aqueles que saem à rua para caminhar.

Dizem que o zelo, a simpatia e a educação começam em casa, e eu concordo. Só que não param por aí: transbordam para as casas ao lado, para os apartamentos acima e abaixo, e, dependendo de como são recebidos, ganham força e se multiplicam para espalhar boas energias mundo afora.

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