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Coluna Dia Um

Coluna Dia Um – 27/09/2020: O ano perdido

Ariel Fedrizzi

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Desde que a pandemia – redundantemente – se alastrou pelo planeta, e trouxe a consciência de que muitas das coisas a que estávamos acostumados não voltarão a ser como antes, tenho visto muitas pessoas adjetivando 2020 como um ano “perdido”.

Sim, eu compreendo e concordo que muitos planos precisaram ser adiados. Viagens precisaram ser desmarcadas. Eu próprio, com meu humilde projeto de lançar um livro, me vi diante de um impasse ao não poder realizar um lançamento presencial.

A pandemia chegou sem bater na porta. Medidas de isolamento e ferramentas para tentar conter o avanço da doença embolaram-se num frenesi. A dúvida e o ceticismo, em igual medida, polarizaram as ruas e as redes sociais.

Então, sim, é fácil olhar para os dias que estamos vivendo como dias perdidos. Para os quase sete meses de estagnação, como um completo desperdício de vida.

Só que não é bem assim.

Como já defendi em outros momentos, a ameaça à integridade e o problema são catalisadores para a mudança. Poucos avanços humanitários aconteceram em tempos de comodismo. Da mesma forma que vários planos desceram pelo ralo com a inesperada visita do Coronavírus, muitas outras ideias germinaram.

Ainda que uma ida a algum grande museu, por exemplo, não seja possível, os passeios turísticos virtuais levam as obras para dentro de casa. Ainda que alguns escritórios permaneçam fechados, as videochamadas e as conferências online aproximam a todos; representam um recurso logístico até então pouco utilizado.

É fato que a pandemia também escancarou algumas diferenças de oportunidade: não é todo mundo que pode concentrar seus esforços no trabalho remoto – é importante frisar. Mas, colocando em perspectiva, o empenho e o comprometimento em inventar novos jeitos de fazer as coisas se equiparam aos de outros tempos.

Por mais que a frustração nos deixe querendo gritar a plenos pulmões – por baixo da máscara, é claro – que 2020 foi um ano perdido, um fracasso, um erro na Matrix, sempre há tempo para olhar para o tanto de iniciativas que floresceram por entre os espinhos da Covid-19.

Por elas e pela esperança de um amanhã que se assemelhe, em alguns aspectos, a um passado não muito distante, é nossa obrigação seguir na caminhada.

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