Jornal do Povo

Coluna Dia Um – 28/02/2021: Um campeonato bizarro e suas muitas reviravoltas

A brincadeira do momento entre comentaristas e adeptos do futebol é a de que ninguém queria ganhar o Campeonato Brasileiro de 2020, encerrado apenas na última quinta-feira por conta da pandemia.

Apesar de uma última rodada recheada de emoções e o título sendo decidido em detalhes, nenhum clube de fato assumiu a responsabilidade e jogou futebol de campeão. O que se viu foi um rodízio de postulantes – uns, com trabalho mais encaminhado; outros, quase que líderes por acidente –, todos tentando achar alguma consistência num Brasileirão pautado por incertezas.

É verdade que, numa competição de pontos corridos, o vencedor é sempre aquele que encontra regularidade suficiente para conseguir a maior pontuação. Em certos casos, pouco importa se o jogo convence; o simples fato de terminar à frente dos adversários torna o título merecido.

Reeditando sua glória nacional de 2019 (embora sem grande parte do brilho e do encantamento daquela equipe multicampeã), foi o Flamengo que ergueu a taça de 2020. Mesmo com a derrota para o São Paulo, os rubro-negros assistiram ao empate entre o segundo colocado, Internacional, e o Corinthians, o que garantiu o pontinho decisivo dos cariocas na classificação.

O Inter precisava de um único gol na sua partida para desbancar o Flamengo e trazer o Brasileirão para o RS. E ninguém pode dizer que não tentou…

Agora, é inútil citar o pênalti mal-anulado que prejudicou os colorados, ou a noite inspirada do goleiro corinthiano Cássio, principalmente na segunda etapa de jogo. É inútil citar a bola na trave, os dois gols corretamente anulados, ou os chutes que não encontraram a meta. O Inter, depois de primeiros vinte minutos apáticos no Beira-Rio, fez por merecer um desfecho melhor.

Dá para discutir que o campeonato, na realidade, foi decidido na rodada anterior, justamente no confronto contra o Flamengo. Dá para discutir algumas decisões da arbitragem, também – sempre há o que falar.

Mas, no fim das contas, talvez seja mais gratificante voltar o olhar para dentro; para o belo trabalho realizado por Abel Braga em mais uma passagem relevante pelo colorado. Talvez seja mais enriquecedor apreciar os bons jogadores que despontaram no Inter durante esta saga na Série A.

Em um campeonato com tão pouco futebol convincente (e tantas mudanças drásticas no mundo), algumas sementes certamente foram plantadas no Beira-Rio. Germinarão em bons frutos.

Ariel Fedrizzi

Ariel Fedrizzi

Com 24 anos de idade e natural de Caxias do Sul – RS, Ariel Fedrizzi é fascinado desde sempre por contar histórias. Tem nas palavras a chave para dar voz a quem não é ouvido e trazer luz ao que não é visto. Cronista por exercício, poeta por preguiça, contista por pendor, teve diversos artigos publicados no Jornal Pioneiro, mas tem sede por mais. Iniciou, em fevereiro de 2019, um projeto de divulgação do seu trabalho autoral nas redes sociais, e hoje conta com participação em alguns eventos literários no currículo (destaque para o Fora da Caixa, do Centro Universitário FSG, e para o Sarau de Poesia do Instituto Cultural Taru), e, claro, a materialização de seus escritos através dos cards literários, uma de suas maiores invencionices.



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