Jornal do Povo

Dia do sertanejo: conheça a história da música sertaneja

No dia 3 de maio é comemorado o Dia do Sertanejo, entenda a origem desse estilo musical tão especial para os brasileiros

Sertanejo entre o estilo musical preferido dos brasileiros

Qualquer pesquisa de opinião que for realizada para entender o gosto musical do brasileiro contemporâneo mostrará, com certeza, a preferência para a música sertaneja. Dependendo da região, essa modalidade musical estará sempre na primeira ou segunda colocação para os entrevistados.

Mas será que quando falamos de “música sertaneja” estamos nos referindo a uma única vertente artística, melódica e cultural? Qual a origem desta modalidade musical que emociona e atrai a atenção de milhões de brasileiros em nossos dias?

A origem da música e da tradição sertaneja

Foi com Euclides da Cunha, a partir da publicação de Os Sertões no princípio do século XX, que o Brasil recém entrado na República tomou conhecimento deste pedaço de chão que se diferenciava da vida vivida no litoral e nas suas cidades que caminhavam para a urbanização.

Sim, havia um “outro” Brasil além da montanha e entranhado nos mais longínquos e desconhecidos rincões de nossa terra. Lá habitava um “outro” cuja relação com a terra rústica e vazia marcava profundamente seu corpo e alma. Isso o tornava em tudo distinto daquilo que podia-se dizer ser a brasilidade litorânea e urbana construída desde os primórdios de nossa colonização.

Mas não seria este “sertão” euclidiano que produziria o conjunto melódico e harmônico que ficaria conhecido como “música sertaneja”. Neste ambiente d’Os Sertões, segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, surgiram “o baião, o xaxado e outros ritmos do interior do Norte e Nordeste” e que até hoje também arrastam multidões para as pistas de danças e shows de artistas famosos no país inteiro.

A cultura caipira

Foi no interior paulista, no norte e oeste paranaenses, no sul e triângulo mineiros, sudeste goiano e mato-grossense que tudo começou. A cultura caipira  transformou as modas, toadas, cateretês, chulas, emboladas e batuques no que com o passar do tempo virou “música caipira” ou “música sertaneja de raiz”.

A cultura caipira surge daquilo que o sociólogo e crítico literário Antonio Cândido definiu como Paulistânia – movimento cultural derivado do Bandeirismo que pretendia explorar o interior do Brasil e foi protagonizado pelos Bandeirantes paulistas desde o século XVI.

Lembrando que o termo “caipira” se refere àqueles aventureiros que foram ficando pelo caminho da Paulistânia, que construíram suas roças, apeando aqui e ali, formando família ou buscando fortuna. Com este modo de vida peculiar o caipira diferenciava-se totalmente do “homem da cidade” e através da música entre outras coisas, expressava esta distinção.

A vida na roça e a música caipira

Enquanto o mundo assistia estarrecido a pior crise do capitalismo e a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, sertanejos retratavam os “causos e lidas” do cotidiano interiorano. Eles falavam da vida na roça, do trato da terra e da bicharada, disputas políticas locais e regionais, na contemplação da natureza bucólica através da música sertaneja caracterizada pela formação de duplas com violas afinadas para o acompanhamento dos tenores com tonalidade nasalada e forte presença de falsetes.

Este conjunto harmônico passou a ser conhecido do público urbano graças ao pesquisador e compositor Cornélio Pires. Foi ele que gravou pela primeira vez duplas como Zico Dias & Ferrinho, Mandi & Sorocabinha, Mariano & Caçula e Laureano & Soares.

A primeira fase da música sertaneja

No repertório destes pioneiros, aspectos da vida de personagens como Getúlio Vargas e João Pessoa e temas como a “crise” da época e a “carestia”, entre outros. Esta primeira fase da música sertaneja durou até 1944 e revelou, além de Cornélio Pires e sua “turma”, nomes e talentos como Alvarenga & Ranchinho, Torres & Florêncio, Tonico & Tinoco, Vieira & Vieirinha e Pena Branca & Xavantinho.

O amor como grande tema da música sertaneja

Todo esse dinamismo estilístico começa a preparar o terreno para o “grande tema” da música sertaneja e que vai transformá-la nesse fenômeno cultural que hoje conhecemos: o amor.

Aos poucos, embora o caráter autobiográfico do sertanejo e sua forma de viver ainda sejam presentes neste período. O tema do amor começa a tomar seu lugar e a inspirar os compositores que em menos de duas décadas vão consolidar a presença deste gênero musical. Além de torná-lo presença definitiva em nossa cultura e parte integrante da identidade brasileiras.

E se hoje a música sertaneja é este inquestionável sucesso de público e renda, foram duplas como estas que abriram os áridos e sinuosos caminhos do interior até a cidade. Foram eles que viajavam de cidade em cidade cantando em circos populares para públicos pequenos e chegaram primeiro ao rádio AM, depois na TV e na FM. E hoje, em todos os cantos e corações pelo país inteiro.

Taiara

Taiara



Publicidade

Escreva um comentário

Siga-nos

Estamos também nas Redes Sociais. Segue a gente lá!!