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ENTREVISTA: Eduardo Giovanella, do interior da Serra Gaúcha para o mundo

Aos 13 anos de idade, o bento-gonçalvense Eduardo Giovanella de Almeida já esbanja carisma e talento. O jovem é modelo e ator, protagonista do curta-metragem “O Menino da Terra do Sol”, o qual já foi vencedor de diversos festivais cinematográficos. Inclusive, ano passado, o menino conquistou a estatueta de Melhor Ator Mirim no Red Carpet do Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), em Hollywood. O LABRFF é o maior festival de cinema brasileiro fora do Brasil e possibilitou que Eduardo realizasse outro sonho: conhecer os Estados Unidos.

O filme que o jovem gaúcho protagoniza é uma adaptação do último livro lançado em vida pelo escritor e publicitário florense Flávio Luis Ferrarini. Produzida pela Alba Arte, a trama também garantiu o prêmio de Melhor Curta-Metragem em Hollywood, além de ser vencedora do 7º Festival de Cinema do Clube Gaúcho de Santo Ângelo e em Muriaé, cidade mineira. Lógico que também esteve entre os indicados no certame Curtas Gaúchos do Festival de Cinema de Gramado de 2019.

Eduardo com o livro que deu surgimento ao curta-metragem durante aniversário do Instituto Sociocultural Flávio Luis Ferrarini. Fotografia: Gustavo Tamagno Martins

“O Menino da Terra do Sol” tem direção de Michel Marchetti e conta a história de Nini, um menino tímido do interior de Nova Pádua que vive intensamente a solidão da infância e vai atrás do seu sonho de ser escritor. As gravações ocorreram em maio de 2018 e envolveram uma equipe de 24 profissionais, além de 40 figurantes. Ao longo de dez dias, o interior de Flores da Cunha (RS) e Nova Pádua (RS) foram palco para a recriação do cenário rural das décadas de 1960 e 1970.

Eduardo foi aluno das Oficinas de Teatro da Fundação Casa das Artes e, apesar da pouca idade, já possui diversas passagens por peças, inclusive com o papel de protagonista. O ator foi escolhido para dar vida a Flávio na infância e a atuação deu um impulso em sua promissora carreira.

Em seu primeiro papel nas telonas, o garoto já mostrou que “nasceu para a coisa” e sempre agradece pela oportunidade que teve de mostrar o seu talento interpretando o sonhador Nini. “A equipe foi maravilhosa e trabalhou unida, sem medir esforços. Está aí a comprovação dessa maravilhosa história”, conta.

Eduardo durante cena de “O Menino da Terra do Sol”. Fotografia: Alba Arte, divulgação

A previsão é de que, em breve, os cinéfilos de plantão possam ter acesso a produção audiovisual. A espera é necessária pois muitas premiações exigem que o trabalho seja inédito e não possa estar público. 

Enquanto aguarda a exibição das poesias autobiográficas de Flávio Ferrarini adaptadas para a sétima arte, confira a entrevista que o premiado ator mirim nos concedeu. Eduardo Giovanella fala sobre seus sonhos, inspirações e a sua experiência de vivenciar Nini nas telonas. Acompanhe:

:: Você já tem em seu currículo diversas passagens por peças teatrais e agora com participação nesta obra cinematográfica. Quando você viu que a arte do cinema e do teatro era a sua grande paixão?

– Eduardo Giovanella: A partir do momento em que eu assistia a novela Carrossel eu me interessei em começar a fazer parte dessa carreira que não é fácil, porém é isso que me motiva a continuar e a me especializar.

:: O Nini, apelido de Flávio Ferrarini, foi o personagem marcante que teve grande influência em desencadear a sua carreira de ator mirim. O que o menino Nini tem de semelhança com você?

– Eduardo Giovanella: O menino Nini tinha o sonho de ser escritor, e o meu é o de ser ator. Assim como ele era esforçado e dedicado, eu também procuro fazer o melhor, estudar muito e aprender sempre.

:: Como chegaram até você para que interpretasse o personagem principal da trama? Conte um pouco mais sobre como foi feita a seleção.

– Eduardo Giovanella: A Alba Arte publicou um informativo no Face para que as pessoas que se enquadrassem no perfil se apresentassem na Casa da Artes (Bento Gonçalves) para o teste. A amiga da minha avó chamou minha mãe no Face e mostrou a ela que havia o teste e que o eu tinha uma certa semelhança com o personagem.

:: Qual é a cena que você mais gosta do filme?

– Eduardo Giovanella: Na verdade, eu gosto muito de duas cenas do filme: uma delas é a cena onde o Nini está pescando com o pai e se divertem muito, além do clima divertido e quente. A outra cena é onde o pai do Nini percebe que ele tem o dom de escrever e o apoia.

:: Qual a maior dificuldade em atuar no “O Menino da Terra do Sol”?

– Eduardo Giovanella: Na verdade não tive dificuldade de atuar, mas o que dificultou um pouco as gravações foi o frio que estava fazendo naquele período.

:: Qual foi a sensação de, aos 12 anos, subir no Red Carpet do Festival LABRFF em Hollywood?

– Eduardo Giovanella:  Jamais imaginei que o filme teria essa proporção, ainda mais internacionalmente, sempre sonhei em conhecer Hollywood, mas íamos protelando, e quando eu vi que tínhamos sido selecionados para esse festival. Foi uma emoção muito grande. Estando lá então, a emoção me tomou conta pois foi maravilhoso estar lá, dar entrevistas às emissoras de TV e cinema, e maior ainda foi a emoção em receber o prêmio de Ator Mirim diretamente de Los Angeles. Além do troféu, eu trouxe comigo muitos amigos que até hoje temos uma grande amizade.

:: Esse reconhecimento possibilitou o contato com diversos artistas, muitos deles, consagrados nas telonas. Qual deles você mais gostou de conhecer?

– Eduardo Giovanella: Dos festivais que compareci, conheci vários artistas famosos, dentre eles, o Marcos Caruso, que fez até um vídeo comigo, o Hélio De La Peña, ddo qual ganhei um livro dele que virou filme. Adorei conhecer eles e pude aprender muitas coisas além de muitos conselhos. Até hoje conversamos e mantemos uma amizade.

O ator mirim com Hélio De La Peña. Fotografia: Arquivo Pessoal

:: Quais as suas maiores inspirações?

– Eduardo Giovanella: No início, minhas inspirações foram o elenco do Carrossel, depois durante minha trajetória, eu tive vários atores internacionais como Jim Carrey, Daniel Radcliffe (Harry Potter), Marcos Caruso, e a minha mãe que me incentiva e apoia.

:: Um filme, um livro e uma música.

– Eduardo Giovanella: Um Filme: “Harry Potter”. Um livro: “Lucas Oats e o Segredo do 404”. Uma música: “Happy” de Pharrell Williams.

:: Para você, quem é Eduardo Giovanella?

– Eduardo Giovanella: Eduardo Giovanella é um menino curioso, extrovertido, falador, estudioso, atencioso, feliz, alegre, carismático, que adora ter amigos, brincar, se divertir, viajar, atuar e jogar futebol.

:: Está com projetos futuros em mente? O que o público pode esperar daqui para frente?

– Eduardo Giovanella: Sim, tenho vários projetos de cinema, série e musical aguardando a pandemia passar. Entre eles tenho projetos junto com a Meire Fernandes, de Los Angeles, em que além de uma grande amizade, ela agora é minha madrinha artística. Aguardem novidades maravilhosas irão acontecer quando tudo isso passar!

:: Qual a mensagem que você deixa para as pessoas que, assim como você, sonham?

– Eduardo Giovanella: Assim como eu, é importante ter a família ao seu lado apoiando você na realização do seu sonho. Indiferente do que você quiser ser ou fazer, faça o seu melhor, dedique-se, leia, estude muito pois nada é fácil. Para a minha profissão a gente encontra muitos concorrentes, e recebe também muitos “não”, mas se esse é o seu sonho, siga em frente pois um “sim” vai valer por todos os “não” recebidos.

Fotografia: Alba Arte, divulgação

E para ir matando a curiosidade, antes de disponibilizar o curta-metragem na íntegra, a Alba Arte preparou a série “O Menino da Terra do Sol – Behind the Scenes”. Toda sexta-feira, às 20h, a produtor de Bento Gonçalves lança em seu canal do YouTube vídeos que mostram os bastidores do filme que vem ganhando o mundo.

Acompanhe abaixo o vídeo em que Eduardo Giovanella, o Nini, e o ator Rafael Franskowiak, o pai do Nini, falam sobre o elenco e dão alguns spoilers para vocês. Imperdível!

Gustavo Tamagno Martins

Gustavo Tamagno Martins

Nascido em maio de 2000, em Caxias do Sul (RS), sempre foi apaixonado por livros, câmeras fotográficas, filmadoras e microfones. Cursa Jornalismo no Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG). Foi selecionado como um dos 100 Jornalistas Por Um Dia do Jornal Pioneiro em 2013. Já trabalhou como fotógrafo em eventos, como redator na Planet House Propaganda e como estagiário na Comunicação (assessoria de imprensa e TV Câmara Caxias) da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul e da Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca). Gustavo é autor dos livros "O Cemitério Misterioso" (conto de suspense reflexivo lançado em 2017) e "O Sótão das Lembranças" (crônicas publicadas em 2018). Seu trabalho mais recente foi na Redação Integrada do Grupo RBS, com matérias no Jornal Pioneiro e boletins na rádio Gaúcha Serra.



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