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INgratidão – por Romila Amaral

Romila Amaral

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A ingratidão é um sentimento “desprovido” de memória. O ingrato se faz de esquecido, vive o hoje como se não tivesse recebido benefícios no passado. Sem dó e nem piedade apunhala aquele que um dia lhe estendeu a mão. Esses dias apareceu em minha casa uma senhora, pediu ajuda aos meus pais e ao relatar o problema, a voz das lágrimas falou mais alto. Sem poder contar com os filhos, recorreu a “estranhos”, que prontamente abraçaram aquela alma tão angustiada.

O peso da idade fez com que fosse diminuindo diante daqueles que foram gerados por ela ao ponto de não a enxergarem. Do rio dos olhos cansados transbordava sofrimento. Assim como ela, a voz também diminuiu, já não manda no que é seu, perdeu a liberdade de ir e vir. Negaram-lhe água, respeito, renegaram aquela que por nove meses os manteve seguros em seu ventre.

A ingratidão sufoca aquele que sem merecer a recebe. Eu vi nos olhos daquela idosa uma tristeza tão grande, como se ela fosse um pássaro desamparado, de asas cortadas, e o pior de tudo, cortadas por aqueles que um dia ensinou a voar. A ingratidão de um filho é uma ferida aberta no coração dos pais. Aquela mulher só queria ser respeitada, amada, mas não foi isso que recebeu. A mão da ingratidão é pesada, machuca, nos coloca à deriva no mar da decepção.

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