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O mundo precisa de gente humana

Romila Amaral

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Tenho visto e escutado cada coisa. Fico pensando: como pode uma pessoa não ter compaixão. Será que nasceu desprovida, ou foi tomada por uma amargura tão grande a ponto de tê-la perdido dentro do próprio ser.
Eu e minha mãe estávamos em uma fila, aguardando para entrar em uma livraria. Ao lado, no chão tórrido da calçada, havia um índio brincando com quatro bonequinhos de Dragon Ball Z. Fiquei observando, logo o menino percebeu um par de olhos admirados fixados nele. Brincava e me olhava.
Entrei na livraria, mas minha mãe ficou do lado de fora. Puxou conversa com uma moça que trabalha no local, fica na porta e vê tudo o que acontece ao redor da loja. Disse que um homem estava caminhando e percebeu que o índio brincava com três pedrinhas. No outro dia presenteou o menino com quatro miniaturas de Dragon Ball Z. Rapidamente as pedras foram substituídas. Depois disso, um outro homem se achando o suprassumo da avenida, sem dó nem piedade, chutou os bonequinhos para longe. A funcionária da livraria, chamou o malvado e rapidamente falou umas verdades. Ele pediu desculpas, mas ela disse que este pedido ele deveria fazer ao menino.
Talvez o índio não compreenda a desculpa, assim como não compreendeu o que fez para que seus bonequinhos saíssem voando pela calçada. A moça teve a grandeza de defendê-lo, e é de gente assim que o mundo precisa. O homem chutou as miniaturas como se estivesse chutando pedras. Bonito seria se ele tivesse se abaixado, se igualado ao menino. Um sorriso, seria melhor do que um chute. Quem necessita de um “chute” é a sociedade. Não de chutes violentos, mas o da realidade. Que possa ser sacudida a ponto de enxergar o outro com respeito. O mundo precisa de gente humana. De desumanos estamos fartos.

Fotografia: Internet

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