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Poesia e Reflexão

O tempo é um senhor – Romila Amaral

Romila Amaral

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Esses dias minha avó saiu do quarto, foi até a janela da cozinha, olhou para fora e disse: “O tempo está com a ‘cara’ enfarruscada, parece um velho.” Escutei aquilo, imaginei a feição e fui conferir. O dia estava cinza, as nuvens carregadas como se estivessem cheias de rugas. Pensei: Ela tem razão.
Logo fiquei poetizando…

O tempo é um senhor. Quando tem sol ele volta a ser um menino, as nuvens fazem desenhos, travessuras no céu. À noite, é um adulto apaixonado que vive olhando as estrelas, encantado.

Ah, o tempo… Pode ser um senhor de alma leve e sorridente, mas também ranzinza, carrancudo. Depende muito do humor, de como ele desperta ao amanhecer. No outono, canta as folhas secas que caem no chão, amareladas carregadas pelo vento. Na primavera, mostra todo amor que sente no coração, sorri por entre as flores, perfumes. No inverno, é tempo de aproximação, o frio clama por um abraço, uma taça de vinho, lareira, companhia. Já no verão, se encarrega de trazer o vento para espantar o calor. Quando chove, é como se estivesse chorando. Derrama suas lágrimas em forma de benção, chuva.

O tempo é um velho que não revela a idade, mas quando olhamos para o seu rosto, sabemos o que ele diz. Sussurra através dos ventos, quando fica bravo se transforma em tempestade, mas quando está calmo, é sombra fresca. Gosto de olhar para o céu, ele revela segredos.

Tenha sensibilidade para compreender, mas não esqueça: o tempo é um senhor, temos muito para aprender com ele.

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