Jornal do Povo

Poesia e Reflexão – 02/11/2020: o amor nunca morre

Quando ela bate na porta não temos a chance de dizer:

– Volte outro dia, hoje não estou afim de ir.

A verdade é que ela não precisa de permissão. Entra pelas frestas, voa com o vento, faz parte de nós. Existe uma fronteira que separa o mundo dos vivos do mundo dos adormecidos (mortos). É como se estivéssemos em uma estação, quando o trem passa,

a viagem é feita, a fronteira é cruzada. Quem foi não retornou para dizer como é a passagem, ou qual foi o destino do trem. Ele vai parando nas estações, levando pessoas, animais, plantas, todos que já cumpriram a missão.

– Quem é o maquinista? Deus, um anjo, não sabemos.

Em vida somos muito mais que um corpo, somos alma. É ela que parte.

As folhas secas que encontramos no chão são levadas pelo vento até a estação. A rosa que murcha e morre, também é a que perfuma todos os vagões do trem. Os animais que vivem presos, enjaulados, correm pela plataforma das estações sentindo o gosto da liberdade. Pobres e ricos, negros e brancos sentam lado a lado. Não existe primeira classe ou econômica.

Desta vida não levamos nada. Deixamos o que conquistamos e o que plantamos. Sabemos que a morte não tem dia, tampouco hora marcada.

As pessoas que já partiram continuam vivas em nossos corações porque o amor nunca morre.

Romila Amaral

Romila Amaral

É estudante de Jornalismo da UCS, natural de Caxias do Sul (RS). Apaixonada por poesia e literatura, aos oito anos começou a recitar poemas e não imagina a sua vida longe dos versos. Acredita que o jornalismo e a poesia podem mudar o mundo e a vida das pessoas. Afirma que são a voz daqueles que muitas vezes não podem falar. Os dois se completam. Como declamadora já ganhou alguns prêmios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.



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