Jornal do Povo

Poesia e Reflexão – 08/06/2020: Somos essência e não aparência

A infância é a fase mais linda da vida do ser humano, por isso que quando envelhecemos, voltamos para ela. É o momento dos descobrimentos, de saber quem somos, de brincar e sorrir sem preocupação. O corpo envelhece, mas a alma jamais. Ela teima em ficar naquele mundo de magia, de correr de braços abertos, andar descalços. A liberdade da infância tem um gosto doce e é por isso que todas as pessoas carregam dentro do coração uma eterna criança.

Este período é a base para as próximas fases. Alguns ensinamentos levamos para a vida. Na minha infância aprendi que a felicidade não estava nos brinquedos maiores e mais coloridos. Naquela época as bonecas da Xuxa, Angélica e outras, faziam o maior sucesso. Tive muitas, mas nenhuma delas despertava a minha curiosidade como as que eu encontrava na casa da minha avó paterna. Lá havia uma caixa cheia de brinquedos e alguns eram consertados por ela. Com várias partes que encontrava na rua ou ganhava, dava vida a novas bonecas.

Algumas tinham corpo grande e cabeça pequena, outras ao contrário. Um braço maior que outro. Tinha uma com uma perna no lugar do braço. Diferentes de tudo que eu já tinha visto, mas todas as vezes que eu visitava minha avó, elas estavam lá me esperando. Minhas amigas de pano, plástico, que me ensinaram tanto.

Dentro daquela caixa havia um outro mundo, nele aprendi que a felicidade está na simplicidade das coisas. As bonecas não eram perfeitas, mas com elas aprendi que ninguém é perfeito, todos somos diferentes. Não podemos julgar as pessoas pela aparência, o mais importante é a essência. Não está visível aos nossos olhos. É preciso conhecer o que cada pessoa traz dentro do seu mundo e não é o externo que vai nos dizer isso, mas sim o coração.

Romila Amaral

Romila Amaral

É estudante de Jornalismo da UCS, natural de Caxias do Sul (RS). Apaixonada por poesia e literatura, aos oito anos começou a recitar poemas e não imagina a sua vida longe dos versos. Acredita que o jornalismo e a poesia podem mudar o mundo e a vida das pessoas. Afirma que são a voz daqueles que muitas vezes não podem falar. Os dois se completam. Como declamadora já ganhou alguns prêmios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.



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