Jornal do Povo

Poesia e Reflexão – 11/05/2020: Por trás dos números – por Romila Amaral

A pandemia trouxe mudanças. Todos os dias os veículos de comunicação atualizam números de casos confirmados, curados e mortes por Coronavírus. O caos está instalado. Cemitérios superlotados, covas feitas lado a lado, uma explosão de enterros, pessoas que cruzaram a fronteira juntas. Fronteira? Sim, a que separa a vida da morte. Por trás dos números, existiam vidas, histórias, sonhos… E agora? Restou a dor no coração das famílias que perderam seus entes queridos.

É triste a situação que estamos vivendo, como pássaros engaiolados, reféns do medo de que um vírus corte as nossas asas e encerre o voo da vida. Famílias estão sendo devastadas. Sem despedidas, sem o último adeus, solitários, são assim que os “números” estão partindo. Por trás deles, uma identidade e tantos planos. Vidas!

O mundo está de luto, mas os médicos, os profissionais que estão na linha de frente e os pacientes, estão lutando. Uma luta diária para vencer um inimigo invisível. Quanto vale uma vida? Uma vida não tem preço, por isso não faça pouco caso, ou finja que não está acontecendo nada. Cada vida perdida é uma estrela que se apaga, uma história que se encerra, e uma família que chora, que fica desestruturada.

São mulheres, homens, jovens, crianças, idosos, vidas. Não são números. Você não precisa conhecê-los para se sensibilizar. A compaixão é uma virtude que neste momento é necessária. É triste para uma nação bater um recorde de mortes. Enquanto uns dormem bem, outros não sabem se vão acordar. O coração vive apertado, é como se estivesse sufocado e só voltará a respirar quando este pesadelo acabar.

O ser humano por vezes é egoísta, não se coloca no lugar do outro. Sim é uma tarefa difícil, não tem como dimensionar a dor de alguém, mas podemos respeitar. Chegamos a um ponto trágico, no pico da desumanidade. Temos um Presidente que minimiza a situação dizendo, “E daí”. Uma atriz renomada, secretária da cultura, que diz em uma entrevista que não quer carregar “cordéis de caixões”. Claro que não vai carregar, o vírus seguido da morte não bateu na porta da casa dela. Que falta de sensibilidade.

Talvez o ser humano também seja uma ameaça, portadores do vírus do egoísmo e da ignorância. É preciso ser solidário e poupar as famílias enlutadas de qualquer comentário que seja cruel e mesquinho.

ROMILA AMARAL é estudante de Jornalismo da UCS, natural de Caxias do Sul (RS). Apaixonada por poesia e literatura, aos oito anos começou a recitar poemas e não imagina a sua vida longe dos versos. Acredita que o jornalismo e a poesia podem mudar o mundo e a vida das pessoas. Afirma que são a voz daqueles que muitas vezes não podem falar. Os dois se completam. Como declamadora já ganhou alguns prêmios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Reportagem

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