Jornal do Povo

Poesia e Reflexão – 15/03/2021: “A Hora da Estrela”

É interessante a ideia de saber que alguém pode adivinhar o futuro, fazer previsões. Acredito que algumas pessoas têm esse dom, são sensitivas, captam informações que um ser humano desprovido de tal aptidão não consegue perceber. É como se as peças do quebra-cabeça da vida estivessem soltas no ar e alguém vai tentando encaixá-las.

Certa vez, fui em uma taróloga. Me disseram que era excelente e realmente parecia. Ela fez uma previsão e eu acreditei cegamente, fiquei um bom tempo deixando oportunidades passarem porque conforme ela viu nas cartas, minha alma companheira iria retornar.

Quando alguém se aproximava, eu logo pensava: – Sai pra lá sua alma penada, meu destino já está escrito…

O fato é que o tempo passou, e aquela, que era para ser a minha alma companheira, encontrou outra companhia.

Naquele dia que fui na taróloga, me senti igual a Macabéa, personagem de “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. Saí daquele lugar tão inebriada que nem percebi que fui atropelada, mas não por uma Mercedes-Benz, como a pobre da Macabéa, mas sim pelo meu coração que nem cogitou pedir a opinião da razão.

Não foi a taróloga que me enganou, eu me iludi por acreditar em algo que queria que fosse verdade. Falhei e mergulhei em um rio de águas rasas.

Precisamos parar de colocar a culpa nos outros, os culpados por nossas ações somos nós mesmos. Eu fui até lá, acreditei e esperei pela minha “hora da estrela”.

O destino é um mar de águas profundas, às vezes nadamos, nos afogamos, seguimos, porém se estivermos indo na direção errada a nossa alma continuará perdida, tentando encontrar um lugar no mundo. Nada é por acaso, nem mesmo um sorriso, um bom dia. É necessário viver como se não houvesse o amanhã. Sobre o futuro, só Deus sabe, talvez ele tenha visto nas cartas, mas não revela, simplesmente deixa acontecer.

Romila Amaral

Romila Amaral

É estudante de Jornalismo da UCS, natural de Caxias do Sul (RS). Apaixonada por poesia e literatura, aos oito anos começou a recitar poemas e não imagina a sua vida longe dos versos. Acredita que o jornalismo e a poesia podem mudar o mundo e a vida das pessoas. Afirma que são a voz daqueles que muitas vezes não podem falar. Os dois se completam. Como declamadora já ganhou alguns prêmios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.



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