Jornal do Povo

Poesia e Reflexão – E se fosse você? – Romila Amaral

Fiquei observando a minha avó. Ela levantou, foi até a porta olhar o tempo e quando viu duas peças de roupas no chão, juntou e estendeu no varal. Depois fui fazer uma brincadeira com ela e indaguei: Vó, por que a senhora estendeu aquelas roupas? Nem eram nossas.

Antes de dar um “sermão”, ela fez a seguinte pergunta: “E se fosse você a dona das roupas, iria gostar que alguém olhasse e não juntasse, ou que estendesse?” Eu sorri, e senti orgulho da minha avó.

Parei e refleti sobre diversas situações. Se nos colocássemos no lugar do outro, seria mais humano e até mesmo mais fácil resolver os problemas, que às vezes são criados por nós mesmos. Imagine que você está em uma fila, para fazer o pagamento de um boleto em uma loja. A menina que está trabalhando como atendente de caixa, se encontra em fase de aprendizado. A pessoa acaba ficando um pouco perdida nos primeiros dias, é normal. De repente, você que está lá no final da fila, começa a ficar impaciente, se dirige à frente do caixa e faz vários xingamentos, porque naquele momento está se sentindo dono (a) da razão. Esta não é uma atitude normal, mas muito praticada. E se fosse você que estivesse no lugar da menina, como iria se sentir? E se fosse você que estivesse sendo vítima de um olhar intimidador? E se fosse você estivesse ali para trabalhar, mas foi tratado (a) com insultos, pelo fato de ter atrasado a fila alguns minutos?

Se colocar no lugar do outro, faz com que possamos sentir na pele, as dores, os desassossegos, faz parte do nosso processo evolutivo. Agora, fazer o contrário disso, nos coloca no caminho da desumanidade, e quanto mais trilhamos nesta estrada, mais amargos e mais insuportáveis ficamos ao ponto de nos sufocar com os nossos próprios erros. Errar é o humano, atrasar também, mas ser cordial é como abraçar a alma daquele que tanto necessita.

Por: Romila Amaral (romilahoffman)

Imagem: Depositphotos/Banco de imagens

Romila Amaral

Romila Amaral

É estudante de Jornalismo da UCS, natural de Caxias do Sul (RS). Apaixonada por poesia e literatura, aos oito anos começou a recitar poemas e não imagina a sua vida longe dos versos. Acredita que o jornalismo e a poesia podem mudar o mundo e a vida das pessoas. Afirma que são a voz daqueles que muitas vezes não podem falar. Os dois se completam. Como declamadora já ganhou alguns prêmios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.



Publicidade

Escreva um comentário

Siga-nos

Estamos também nas Redes Sociais. Segue a gente lá!!