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Poesia e Reflexão: No jardim da vida, a regra é construir caminhos

Romila Amaral

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Jornal do Povo - RS - borboleta

Existem momentos que nos concentramos tanto em algo e deixamos de perceber as coisas boas que estão ao nosso redor. Por exemplo, uma pessoa faz o mesmo trajeto todos os dias, pensamentos ocupados, olhar distante, perdendo a sensibilidade de ver que naquele local existem flores, árvores, pássaros, vida, mas quando conseguem enxergar se perguntam:
“Essa paisagem sempre esteve aqui?” a resposta é sim.

Tudo é tão automático. Sair de casa, trabalhar, estudar, resolver problemas, voltar, seguimos uma rotina e esquecemos de admirar, agradecer. A sensação é de que somos apenas um corpo, a alma parece não estar em sintonia, porque se estivesse, nada passaria despercebido diante dos nossos olhos.

O ser humano gosta de se arriscar, de desejar e conquistar, custe o que custar. É como se chegássemos em um jardim esplendoroso, mas o impulso nos cega tanto, que saímos correndo atrás da primeira borboleta colorida que aparece, sem olhar para as outras, corremos e corremos, até que, no meio do caminho havia um buraco e caímos nele. A dor do joelho ralado não é maior do que a dor de ver nosso sonho partindo, como se um pedaço de nós estivesse indo, para onde? não sabemos. O fato é que poderíamos ter olhado para outras “borboletas”, oportunidades, caminhos.

Somos os construtores da estrada da nossa vida, é nosso dever conhecê-la, sempre abrindo oportunidades para alçar novos voos. Cair na mesmice, escutar a vaidade, é dar um passo para cometer novos erros. Aprendemos muito com eles, mas se fossemos bons observadores não erraríamos tanto.

A vida é feita de escolhas, falhas, acertos, dúvidas, mas ela é breve e por isso não podemos perder tempo. O jardim da existência é grande demais para nos deslumbrarmos com a cor de uma única borboleta.

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