Jornal do Povo

Poesia e Reflexão: Retinas da fome – por Romila Amaral

Um olhar tem o poder de revelar as vontades e carências do ser humano. A maior riqueza está nos valores e na sensibilidade que temos em perceber o que acontece ao nosso redor. Algumas pessoas não têm uma cama quentinha, um lar, um pedaço de pão.

Sim! Aquilo que parece ser bobagem para uns é a realidade de outros. Tem gente que sente fome, que chega em casa e se depara com um vazio tanto interior quanto exterior. Existem famílias que passam semanas dividindo o pouco que tem entre os seus. O olhar da fome, às vezes, é desesperador, não sabe como será o amanhã. Também é aflito, através do pai de família que se preocupa e se envergonha por não saber como contornar a situação. É o olhar da mãe que sai junto com o filho para pedir, e é vítima de olhares preconceituosos, certamente de quem nunca precisou.

A fome também olha com gratidão, para aqueles que bateram em sua porta com uma cesta básica, ou da avó que levou a neta no mercado com o dinheiro contado e a criança queria um doce. A fome já encontrou pessoas tão caridosas, de coração imenso, a fome já sentiu vergonha de pedir ou muitas vezes implorar.

Afinal, quem é a fome? É a falta que assombra muitas pessoas. Ela se esconde atrás de um olhar. Pode andar bem vestida a procura de emprego, ou vagando pelas ruas, passa despercebida. Divide um lar com uma família, também paga aluguel, tem dívidas e o pouco que sobra é para um prato de alimento. Mesmo assim ela insiste, se faz presente.

Reflita… A fome têm olhos e é através deles que ela imagina. Aquilo que não tem hoje, o que faltará amanhã. Felizes são aqueles que tem um lar e podem fazer todas as refeições. Agradeça a Deus, você é privilegiado.

Então, se encontrar a fome por aí ou ela bater em sua porta, não vire as costas. Ela tem necessidades, se esconde atrás de olhares e reações diversas. Alimente, faça a sua parte. Pode ser pouco, mas se torna muito quando é de coração.

ROMILA AMARAL é estudante de Jornalismo da UCS, natural de Caxias do Sul (RS). Apaixonada por poesia e literatura, aos oito anos começou a recitar poemas e não imagina a sua vida longe dos versos. Acredita que o jornalismo e a poesia podem mudar o mundo e a vida das pessoas. Afirma que são a voz daqueles que muitas vezes não podem falar. Os dois se completam. Como declamadora já ganhou alguns prêmios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Reportagem

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