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Cultura

PROJETO ENTREVISTAS COM FOCO CULTURAL – Lucas Brito

Redação

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lisiane berti cultural

E aí pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim! Quero compartilhar aqui a entrevista que fiz com a artista canelense Lisi Berti. De antemão, quero deixar claro que a intenção é valorizar a cultura local. Dar voz e vez para os personagens desta vida real, que por muitas vezes geram para nós uma oportunidade de viver a arte.

Degustar um dos lados mais belos da vida, que está na nossa singularidade, para além do que parece real, mas que está lapidado pelo sentimento daquele que representa um trabalho pensado e intenso. Quem sabe, você ainda não tenha pensando em quão especial possa ser o seu eu que está no outro?

Vamos lá. Dê uma conferida na entrevista e se você se identificar, não deixe de comentar. Outra coisa, estou à disposição pelo Instagram @jornalista_lucasbrito. Vou adorar poder contar a sua história ou de algum artista que você me indicar. Na verdade, precisamos de boas histórias. Ainda que o foco aqui seja cultural, nada nos impede de contar histórias de superação e de solidariedade. Estamos combinados? Então, sem mais delongas, fique com as nossa celebridade do dia!

1 – Nome: Lisiane Berti (Lisi Berti)

2 – Idade, cidade e área em que atua: 44 anos, moro em Canela e atuo pelo pais como atriz, diretora, professora de teatro, preparadora de elenco, locutora comercial e dramaturga.

3 – O que é cultura para você? O termo é muito abrangente e possui uma demanda de definições que vem desde a antropologia, sociologia entre outras ciências. Como sou da área artística, vou falar do meu ponto de vista como fazedora cultural e de um ponto bem pessoal: pra mim cultura é tudo aquilo que adquirimos com a nossa convivência com outros grupos de pessoas, a cultura é nossa Arte do passado, é tudo aquilo que nos trouxe até aqui. Por isso a importância do passado, para evoluir precisamos conhecer a nossa história. Arte e Cultura são fundamentais, pois estudamos nosso passado para rumar a um novo futuro sem repetir os mesmos erros com possibilidades de inovar criações.

4 – Como você despertou para a cultura pessoal e profissionalmente?
Tudo começou na Escola, nas aulas de comunicação e expressão da professora Inês Lázzari Farias no Marista. Tínhamos uma aula de teatro dentro das aulas de português (estamos falando da segunda série, eu com 8 anos). Foi a primeira vez que pisei no palco e tive contato com teatro. Já escrevia, e desde então comecei a pegar o gosto pelas Artes Cênicas. Em 1987 tínhamos o I Festival de Teatro de Canela, eu era público, queria muito fazer teatro com o grupo da escola mas não podia. Somente em 1992 subi ao palco do Cine Teatro Marabá como atriz e autora. De lá para cá nunca mais parei.

5– Como você percebe que as pessoas, de modo geral, entendem e consomem cultura? Entendo que ainda de uma forma muito elitista, a cultura não é de acesso a todos, paradoxalmente vivemos num país que tem uma diversidade cultural incrível. Houveram muitos avanços, projetos, movimentos nesse sentido. Quando fiz Artes Visuais gostei muito de entrar em contato com a Arte Contemporânea (que tirou a Arte do museu e do espectador passivo) e com a obra de Marcel Duchamp que fazia esse questionamento. Para que serve a Arte? Para quem serve? Quem define o que é a Arte afinal? Casualmente meu TCC e estágio foi totalmente sobre isso. Hoje a pandemia nos trouxe esse questionamento desse pragmatismo míope, da sociedade que vivemos. Nunca se consumiu tanta Arte durante a pandemia, ela cumpriu o papel de nos fazer crer em nossa criatividade, em nossa capacidade de valores da reais da vida humana. Mas sabemos que ela não chegou a todos, enquanto alguns tinham este acesso, outros buscavam apenas sobreviver e ter o que comer.

6 – Como está o mercado de trabalho no ramo da cultura na sua região? Já estava complicado, pois antes da pandemia nossos teatros estavam fechados e o círculo de atividades se resumia a Páscoa e Natal, entre outros eventos. Com a pandemia os problemas se agravaram, pois todos os eventos foram cancelados. Houveram os editais oriundos da Lei Aldir Blanc (menos burocráticos e emergenciais) mas que resolvem situação temporária (para quem ganhou o edital) porque muitos desses valores não chegam a todos os artistas. Precisamos de políticas públicas consistentes, precisamos valorizar a “prata da casa” não para tapar furo de programação mas com cachês descentes e o mínimo de espaço para se trabalhar. Precisamos fomentar a Arte na escola com profissionais qualificados, formação de plateia, entre tantas outras coisas. Pra mim Arte e Educação caminham juntas, é impossível trabalhar uma sem a outra. Óbvio que vivemos numa região turística, mas acredito que precisamos primeiro fortalecer nossa identidade cultural, se apropriar dignamente da nossa história e memória par então receber com orgulho nosso turista.

7 – Que efeitos você percebe que a pandemia provocou e provoca na cultura? A pandemia colocou nosso setor em choque, porque nos paralisou por completo, abriu vários problemas, condições de acesso, colocando os profissionais sem perspectiva mínima de dignidade para se dedicar ao seu ofício. Fomos “obrigados” a migrar para o online e nos inteirarmos das novas possibilidades de tecnologia, mas ainda assim, muitos sem possibilidades de pagar as contas básicas e sem a mínima previsão de retorno. Eu trabalho em várias áreas e tive de fazer malabarismos para superar dia a dia pandemia. O teatro é a prática da presença, de conviver juntos, e temos que superar isso, juntos. Tem sido muito difícil e não podemos ignorar que não temos a menor ideia de quanto tempo ainda vamos ficar em home office ou nos adaptando a protocolos. A cultura presencial está em crise mundial há mais de um ano. Estamos cheios de desafios e buscando alternativas para mantermos nosso público conectado consumindo um mínimo de cultura. Mas o teatro sempre sobreviveu a todas as calamidades por seu espírito libertário e comunitário. Espero honestamente que eu e colegas artistas, tenhamos a capacidade de sairmos dessa loucura toda melhores e com saúde mental para continuar criando.

8 – Qual a importância da cultura em tempos de pandemia? A cultura nos faz resilientes, nos dá esperanças, nos lembra que não estamos sós. Nos primeiros meses de confinamento ela já mostrou o poder que teve de sanar o medo e acalmar a ansiedade. Criadores e espectadores encontraram alternativas para se conectarem, para essa necessidade imperiosa que nos tirou a timidez e nos fez abraçar a tecnologia mesmo com muitas incertezas nesse novo formato híbrido de plataformas visuais. Uma metáfora a distância! Uma situação que alimenta a imaginação teatral com uma realidade turbulenta dos dias pandêmicos. A épica loucura dos confinamentos para escapar deles mesmos, criando. E muito se fez e se criou na pandemia. Peter Brook diz que quando o teatro é necessário não há nada mais necessário. A Arte é o caminho deste momento escuro e triste. Sempre foi e sempre será mesmo que acreditem poder deixa-la de lado quase sempre.

9 – Tem algum trabalho seu em cartaz online ou presencial que você gostaria de divulgar? Atualmente com a pandemia, estou desenvolvendo um curso de desinibição como falar em público de forma individual e presencial, mas também já atendi em formato online. Estou com uma turma adulta de teatro, com poucos alunos presencialmente. Desenvolvendo cursos online, lives todas as terças onde entrevisto artistas do Estado, pais e de outros países para falar sobre processo criativo durante a pandemia, treinamentos empresariais… Quem quiser saber mais pode espiar nosso site www.estudiodepesquisateatral.com.br e o insta @estudiolisiberti e @lisianeberti no youtube Lisiane Berti diversos trabalhos, contos e leituras dramáticas

10 – Comente sobre algo que não foi abordado nas questões acima e que considera importante ressaltar. Cada Arte tem sua especificidade, mas o teatro é um dos únicos que precisa do ser humano vivo, não apenas da imagem. Vivemos da presença! Me pergunto se a pandemia nos fez mudar nossa condição ou só ressaltou que estamos, faz muito tempo, em um estado de alarme contínuo, sobretudo nesse país tão desigual e corrupto. Sim, no nosso meio também há corruptos, mas por favor, quando falarem de “nós”, informem-se sobre nosso trabalho, não generalizem, nem todos os artistas “são vagabundos e mamam nas tetas do governo”. Há artistas sérios e comprometidos com sua Arte, não apenas com o próprio ego.

Foto por Sérgio Azevedo
Texto por jornalista Lucas Brito

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