Jornal do Povo

Relatos da Vida Moderna – 28/04/2020: Será que existo? – por Emely Polli

Tenho olhado pela janela da sala reservado um tempo longe da imensidão. Vivendo do acaso e dos cafés que esfriam na estante reservado um tempo para dividir a solidão. Tenho guardado memórias do passado e escrito sobre o futuro como inspiração. Enquanto choro sentado na mesa o mundo sem compaixão. Não durmo e anseio pelas cartas erradas jogadas em alguma mesa de qualquer bar fechado agora nessa conturbação.

E minha presença ainda tenho explicando para o espelho e para o relógio que me acompanham em mais uma noite de insônia ouvindo o noticiário. Tenho embaraçado minhas certezas com as cores da vida lá fora. Me protejo aqui dentro. Algo está fora do lugar. Talvez eu tenha enxergado nessa turbulência o quanto preciso viver.

Sei que quando tudo isso passar eu não vou mais gostar de sentir a solidão aqui. E se me curvar mais uma vez diante da minha estupidez será que já sei me ouvir.

Já posso me sentir mais, saber o que sou e o que sei. Parei. Me reconheço não como instável muito menos como imune. Isso nada sou.

Reconheço-me como ser humano pequeno demais para querer tanto.

Só quero a felicidade

Nesta casualidade

Aqui dentro

E me pergunto ainda

Já devo existir ?

Meu vício está sendo aprender a viver.

EMELY POLLI é escritora caxiense que desde muito jovem se encantou pela literatura. Organizadora do Café Poético, evento que expõe artes, inclusive as suas. Junto com a sua irmã Nicolle participa do duo Delunar e cursa Licenciatura em Música na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Acredita no poder das palavras e na poesia como essência da fórmula humana.

Reportagem

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