Connect with us

Colunas

Semáforo da Esperança

Romila Amaral

Publicado

on

semaforo do bem

Desde a chegada da pandemia, as máscaras começaram a fazer parte do nosso dia a dia. Dos sentidos do rosto, apenas os olhos, considerados as janelas da alma, ficam visíveis.
Foi num final de tarde, estava no trânsito à caminho de casa, o semáforo se tingiu de vermelho, embora nestes últimos dias o Estado esteja totalmente preto, de luto, de dor, de medo. Enquanto o sinal obrigou todos os carros a ficarem parados, – porque no trânsito é ele quem dita as regras e os motoristas obedecem, ou pelo menos, deveriam -, olhei para o lado esquerdo e a cena que vi me arrancou um sorriso que ultrapassou as amarras da máscara.
Naquela esquina o semáforo bradou um verde de esperança e um homem começou a dançar. Ele estava mostrando o rosto, desprotegido, mas ria, dançava, e falava como se estivesse em um palco sendo aplaudido de pé por uma grandiosa plateia. Eu vi um espetáculo e por alguns segundos esqueci que existia pandemia. Aquele momento atrevido, tão íntimo, me fez bem.
Sempre existe uma luz no fim do túnel, mas tudo depende da maneira como sentimos, enxergamos e encaramos as dificuldades que aparecem em nosso caminho. Aquele homem optou por dançar sem se importar com a opinião dos outros. Um dos grandes erros cometidos pela maioria dos seres humanos é deixar a vida passar e esquecer que quem está de passagem somos nós. No semáforo da esperança eu vi um homem feliz, eu vi um homem mostrando que a força que nos move precisa ser abastecida com boas gargalhadas de fé.

Fotografia: Shutterstock, banco de imagens

Continue Reading
Comente

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Tendência

Copyright © 2021 Jornal do Povo RS