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Cultura

Três costumes do Rio Grande do Sul que só os gaúchos entendem

Redação

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No Brasil inteiro, o 7 setembro é o momento de celebrar a independência, a nação, cultivar as tradições e cantar o hino a plenos pulmões. Acontece que, no Rio Grande do Sul, rola uma pequena adaptaçãozinha. A data para isso tudo se estende ao dia 20, dia da Revolução Farroupilha, guerra travada entre o Estado e o Império Brasileiro em 1835, em que os gaúchos se renderam mediante acordo dez anos depois. Desistiu-se da independência, mas a data comemorativa ficou, polêmica que só. Seja como for, o Rio Grande aproveita o dia 20 de setembro para exaltar a beleza do Estado e resgatar os costumes das antigas gerações.

1. Bah e Tchê não significam a mesma coisa

O “bah” é quase um suspiro que, dependendo da entonação, serve para externalizar basicamente qualquer sentimento que existe: decepção, alegria, espanto, medo, admiração, raiva. O “tchê” é uma interjeição exclamativa para chamar a atenção de alguém. Tem quem acredite que “tchê” significa “cara”, mas é muito mais intenso que isso: “tchê” significa “bah, cara!”. Também vale destacar o uso do “tri“, uma versão minimalista, adaptada pela geração Y, do antigo “tri legal”, que caiu em desuso nos anos 1990; e explicar o uso do “capaz”: o exclamativo “capaz!” significa “não precisa” ou “não se preocupe“. Enquanto isso, dizer “bem capaz” significa “não” e dizer “capaz que não” significa “sim“. Entendeu?

2. O chimarrão é amargo e pelando de quente mesmo

E não, você não pode tomar só um golinho. E colocar açúcar, pode? Bem capaz! E nunca mais diga essa barbaridade! Quando os índios guaranis e caingangues começaram a usar a erva-mate por lá, no século XVI, eles nem sabiam que estavam abrindo caminho para a tradição mais rígida e regrada do Rio Grande. Tudo começa na preparação: o anfitrião monta o mate na cuia, com a erva e a água quente (que não pode ferver: servi-la com menos de 80 graus é o ideal para não amargar ainda mais a bebida) e toma o primeiro. A partir daí, compartilha com os amigos e familiares da roda, sempre respeitando a ordem inicial. Esse é um ritual de amizade, cumplicidade e companheirismo, repetido sempre que se está em grupo ou se recebe visitas. Quer entrar na roda? Tome seu “chima” na sua vez até ouvir o roncar da bomba, não tire ela do lugar e não fique com nojinho de dividi-la com os outros. Se você fizer qualquer movimento que saia do script, vai ouvir um sonoro “tchê!” com tons de julgamento.

3. Curtir o inverno é lagartear comendo bergamota sem atucanação

Que, traduzido do gauchês, é o mesmo que estirar-se ao sol comendo mexerica sem incômodo. Algumas expressões gaúchas podem soar pornográficas, como “cacetinho” e “rabo quente“, que significam inocentemente pão francês e aquecedor de água. Doce de leite, no Rio Grande, é “mumu“, geleia é “chimia” e “chocolatão” faz mais referência ao mar de Capão da Canoa do que a um chocolate grande. Uma vitamina de frutas, em gauchês, é uma “batida de frutas“. E uma batida de carros, um acidente, é, na verdade, uma “pechada“. Algumas palavras do dicionário riograndense têm origem no espanhol, como essa, “pechar”, que vem de “pecho”, ou seja, “chocar-se de peito”.

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